{"id":73123,"date":"2021-04-09T12:54:41","date_gmt":"2021-04-09T12:54:41","guid":{"rendered":"https:\/\/rfusdev.wpengine.com\/mining-on-sacred-land-in-raposa-serra-do-so-2\/"},"modified":"2026-10-16T08:15:26","modified_gmt":"2026-10-16T08:15:26","slug":"mining-on-sacred-land-in-raposa-serra-do-so","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rainforestfoundation.org\/pt\/mining-on-sacred-land-in-raposa-serra-do-so\/","title":{"rendered":"Minera\u00e7\u00e3o em Terra Sagrada na Raposa Serra do Sol"},"content":{"rendered":"<p>Minera\u00e7\u00e3o de ouro na comunidade Serra do Atola, Raposa 2, na Terra Ind\u00edgena Raposa Serra do Sol. Cr\u00e9dito da foto: CIR<\/p>\n<h2>A minera\u00e7\u00e3o de ouro traz garimpeiros, doen\u00e7as e destrui\u00e7\u00e3o para terras ind\u00edgenas com hist\u00f3rico de contra-ataque no Brasil<\/h2>\n<p>Por Teresa Tomassoni<\/p>\n<p>Val\u00e9rio Eurico mal consegue dormir atualmente em Raposa II, uma aldeia ind\u00edgena no estado de Roraima, no norte do Brasil. O crepitar dos tiros e o barulho ininterrupto dos geradores funcionando durante toda a noite em um local de minera\u00e7\u00e3o ilegal de ouro nas proximidades permeiam as paredes de sua casa.<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00ea ouve o som de motocicletas, geradores e m\u00e1quinas batendo na rocha\u201d, diz o l\u00edder ind\u00edgena Macuxi, que mora a poucos quil\u00f4metros de uma das in\u00fameras opera\u00e7\u00f5es de minera\u00e7\u00e3o ilegal que transformaram grandes \u00e1reas da Raposa Serra do Sol em terrenos baldios, um territ\u00f3rio ind\u00edgena que seus ancestrais lutaram para proteger durante gera\u00e7\u00f5es. \u201cIsso \u00e9 perturbador, pois acontece 24 horas por dia, 7 dias por semana.\u201d<\/p>\n<figure id=\"attachment_21864\" aria-describedby=\"caption-attachment-21864\" style=\"width: 468px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/rainforestfoundation.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Vale\u0301rio-Eurico-Macuxi-leader-and-regional-coordinator-for-CIR-e1617978216866.jpg\" alt=\"\" width=\"468\" height=\"333\" title=\"\"><figcaption id=\"caption-attachment-21864\" class=\"wp-caption-text\">Val\u00e9rio Eurico, l\u00edder Macuxi e coordenador regional do CIR. Cr\u00e9dito da foto: CIR<\/figcaption><\/figure>\n<p>Como se os sons n\u00e3o bastassem para mant\u00ea-lo acordado, saber que as crian\u00e7as pequenas t\u00eam o fardo de quebrar e carregar pedras ao lado dos pais, como escravos nas minas, tamb\u00e9m o mant\u00e9m acordado \u00e0 noite.<\/p>\n<p>Estas fam\u00edlias, algumas das quais s\u00e3o ind\u00edgenas, perseguem sonhos ilus\u00f3rios de prosperidade promovidos pelo Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, diz Valerio, que atua como coordenador regional do Conselho Ind\u00edgena de Roraima (CIR), que recentemente apresentou um relat\u00f3rio sobre o impacto da minera\u00e7\u00e3o ilegal na regi\u00e3o ao Gabinete do Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Direitos Humanos.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 a \u00e1rea mais rica do mundo\u201d, <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/poder\/2018\/12\/bolsonaro-defende-exploracao-de-raposa-serra-do-sol.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Bolsonaro disse<\/a> em 2018, referindo-se \u00e0 Raposa Serra do Sol, que tem 6.500 milhas<sup>2<\/sup> e abriga cerca de 27.000 ind\u00edgenas. &#8220;Voc\u00ea pode explorar isso de forma racional. Do lado dos \u00edndios, pagando-lhes royalties e integrando-os \u00e0 sociedade.&#8221;<\/p>\n<h2>A corrida do ouro impulsiona esperan\u00e7as, deixando sonhos desfeitos e paisagens envenenadas<\/h2>\n<p>Mas o trabalho \u00e1rduo envolvido na minera\u00e7\u00e3o de ouro e outros metais como o ni\u00f3bio ainda n\u00e3o beneficiou os povos ind\u00edgenas da regi\u00e3o. E os impactos ambientais e sociais destas opera\u00e7\u00f5es ilegais t\u00eam sido devastadores.<\/p>\n<p>\u201cEles destru\u00edram tudo. Todo mundo viu como eles destru\u00edram a floresta. Ela parece vazia. N\u00e3o \u00e9 a mesma de quando a gente cuidava dela. O que tem \u00e9 mais lixo, muito lixo por todo lado\u201d, diz Val\u00e9rio.<\/p>\n<p>Os registros da Pol\u00edcia Federal indicam que apenas 4% de todos os lucros obtidos com a atividade de minera\u00e7\u00e3o na \u00e1rea ficam com a comunidade local. O resto vai para os empres\u00e1rios que financiam estas opera\u00e7\u00f5es, muitos dos quais tamb\u00e9m est\u00e3o envolvidos no tr\u00e1fico de drogas, segundo o relat\u00f3rio do CIR enviado \u00e0s Na\u00e7\u00f5es Unidas.<br \/>\nA ret\u00f3rica de Bolsonaro alimentou um aumento na minera\u00e7\u00e3o ilegal em territ\u00f3rios ind\u00edgenas em todo o Brasil nos \u00faltimos anos, e a pandemia de Covid-19 agravou ainda mais a situa\u00e7\u00e3o. <a href=\"https:\/\/www.wri.org\/blog\/2020\/09\/covid-19-rising-gold-prices-and-illegal-mining-threaten-indigenous-lands-amazon\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">\u00c0 medida que os pre\u00e7os do ouro disparavam <\/a>e os bloqueios nacionais restringiam os esfor\u00e7os federais e locais para monitorar e resistir \u00e0s invas\u00f5es ilegais de terras, dezenas de milhares de garimpeiros ilegais, conhecidos como garimpeiros, inundaram terras ind\u00edgenas. Estima-se que 20.000 mineiros ocuparam o territ\u00f3rio Yanomami no ano passado, o que, de acordo com um <a href=\"https:\/\/acervo.socioambiental.org\/sites\/default\/files\/documents\/prov0202_en.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">relat\u00f3rio recentemente divulgado e publicado pelo Instituto Socioambiental<\/a>, levou a um aumento de 30% no desmatamento da floresta amaz\u00f4nica na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Hoje, a invas\u00e3o de cerca de 2.000 mineiros ilegais na Raposa Serra do Sol lembra l\u00edderes como Valerio, 60 anos, da batalha aparentemente intermin\u00e1vel que a sua comunidade e outras tiveram de travar para proteger e viver das suas terras.<\/p>\n<h2>A minera\u00e7\u00e3o ilegal \u00e9 a \u00faltima amea\u00e7a em uma longa e \u00e1rdua batalha pelo reconhecimento territorial<\/h2>\n<p>Foram necess\u00e1rios trinta anos para demarcar a Raposa Serra do Sol e t\u00ea-la oficialmente reconhecida pelo governo brasileiro como territ\u00f3rio ind\u00edgena em 2005, e mais quatro anos para expulsar completamente os produtores ilegais de arroz n\u00e3o-ind\u00edgenas do territ\u00f3rio. A Rainforest Foundation US (RFUS) tem apoiado o CIR na obten\u00e7\u00e3o de tais vit\u00f3rias h\u00e1 mais de 20 anos, ajudando a construir a sua equipa jur\u00eddica e a estrat\u00e9gia utilizada para defender a demarca\u00e7\u00e3o do seu territ\u00f3rio e proteger os seus l\u00edderes na linha da frente desta batalha cont\u00ednua pelos direitos \u00e0 terra. Hoje, a RFUS continua a apoiar o CIR nos seus esfor\u00e7os para proteger e cuidar das pessoas e das terras da Raposa Serra do Sol.<\/p>\n<p>Atualmente, a RFUS est\u00e1 ajudando a implementar um projeto de reflorestamento no territ\u00f3rio, que inclui um programa para jovens estudarem agrossilvicultura e m\u00e9todos tradicionais de armazenamento de sementes. Mas, a RFUS est\u00e1 especialmente focada em ajudar o CIR a desenvolver equipas de monitoriza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria, que empregar\u00e3o especialistas ambientais, pessoal de seguran\u00e7a e agentes paralegais para prevenir e abordar a actividade mineira ilegal na regi\u00e3o. Este projeto ainda precisa de financiamento para ser totalmente implementado, afirma a Diretora do Programa da Rainforest Foundation, Christine Halvorson. E o tempo \u00e9 essencial.<\/p>\n<p>\u201cA minera\u00e7\u00e3o tem um impacto tremendo na floresta e na sa\u00fade das pessoas\u201d, diz Halvorson.<\/p>\n<h2>\u00c1gua limpa se torna uma escassez<\/h2>\n<p>Sobreviver na Raposa Serra do Sol fica mais dif\u00edcil a cada dia que o garimpo ilegal continua no territ\u00f3rio. Os dias da tradicional pesca ou ca\u00e7a ao maior roedor do mundo, a capivara, acabaram, segundo Val\u00e9rio. Alguns rios e lagos locais secaram completamente como resultado do redireccionamento do fluxo dos mineiros para os servir nas suas opera\u00e7\u00f5es, ou ficaram t\u00e3o contaminados com merc\u00fario que tomar banho ou comer qualquer coisa da \u00e1gua j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 seguro em muitas comunidades que sofreram invas\u00f5es ilegais de minera\u00e7\u00e3o.<br \/>\nA \u00e1gua venenosa fez com que beb\u00eas nascessem com defeitos. As culturas tradicionais de mandioca, que \u00e9 usada para fazer tapioca e um p\u00e3o achatado chamado beiju, tamb\u00e9m est\u00e3o rendendo menos devido \u00e0 \u00e1gua t\u00f3xica, diz Maria Bet\u00e2nia Mota, uma l\u00edder Macuxi que atua como secret\u00e1ria-geral do CIR do movimento de mulheres ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>&#8220;A m\u00e3e natureza \u00e9 sagrada para n\u00f3s e sempre ser\u00e1 sagrada porque precisamos dela dia ap\u00f3s dia, n\u00e3o s\u00f3 para o nosso bem &#8211; para o bem dos povos ind\u00edgenas &#8211; mas para o bem de cada ser humano. Todos n\u00f3s precisamos da natureza&#8221;, afirma Maria Bet\u00e2nia.<\/p>\n<p>Maria Bet\u00e2nia, Val\u00e9rio e outros l\u00edderes do CIR est\u00e3o fazendo tudo o que podem para preservar a natureza que consideram sagrada e inspirar as comunidades locais a fazerem o mesmo, incluindo educar as comunidades sobre seus direitos e as pol\u00edticas que as amea\u00e7am.<\/p>\n<figure id=\"attachment_21844\" aria-describedby=\"caption-attachment-21844\" style=\"width: 700px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/rainforestfoundation.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Blockades_Mining_Raposa-700x500.jpeg\" alt=\"Indigenous community members set up a wooden blockade across a dirt road leading into their territory. \" width=\"700\" height=\"500\" title=\"\"><figcaption id=\"caption-attachment-21844\" class=\"wp-caption-text\">Membros da comunidade estabelecem posto de fiscaliza\u00e7\u00e3o na Raposa Serra do Sol. Cr\u00e9dito da foto: CIR<\/figcaption><\/figure>\n<p>Na verdade, os l\u00edderes do CIR est\u00e3o ajudando a coordenar equipes de monitores comunit\u00e1rios volunt\u00e1rios para impedir que mais mineiros entrem no seu territ\u00f3rio. Bloqueios foram constru\u00eddos em pontos estrat\u00e9gicos, impedindo a transfer\u00eancia de equipamentos de minera\u00e7\u00e3o e \u00e1lcool.<\/p>\n<p>Outros est\u00e3o a aprender a usar drones e telem\u00f3veis para documentar qualquer actividade ilegal ou outra actividade suspeita, que ser\u00e1 recolhida pelo CIR e utilizada como prova para ajudar a construir processos legais contra os mineiros. A pr\u00f3pria Maria Beth\u00e2nia est\u00e1 aprendendo a usar um drone para ensinar outras mulheres a operar a tecnologia. Mas, diz ela, existe actualmente uma oferta limitada de equipamento e uma necessidade urgente de mais para documentar a extens\u00e3o da actividade ilegal no territ\u00f3rio sem ter de se aproximar demasiado da ac\u00e7\u00e3o, o que poderia p\u00f4r em perigo os monitores.<\/p>\n<p>Valerio e outros l\u00edderes e os seus familiares j\u00e1 foram amea\u00e7ados por organizarem membros da comunidade contra os mineiros. No m\u00eas passado, mineiros amea\u00e7aram atirar nele. Mas Val\u00e9rio permanece implac\u00e1vel.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o tenho medo de morrer. Estou disposto a fazer o que for preciso para salvar o meu povo&#8221;, disse ele. \u201cRezo todos os dias quando vou trabalhar, porque se tiver que dar a minha vida pelo meu povo, eu o farei.\u201d<\/p>\n<h3><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A minera\u00e7\u00e3o de ouro traz garimpeiros, doen\u00e7as e destrui\u00e7\u00e3o para terras ind\u00edgenas no Brasil. 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