{"id":72296,"date":"2025-05-21T17:53:41","date_gmt":"2025-05-21T17:53:41","guid":{"rendered":"https:\/\/rfusdev.wpengine.com\/climate-resilience-in-action-lessons-from-indigenous-communities-in-brazils-amazon-2\/"},"modified":"2026-10-16T08:00:39","modified_gmt":"2026-10-16T08:00:39","slug":"climate-resilience-in-action-lessons-from-indigenous-communities-in-brazils-amazon","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rainforestfoundation.org\/pt\/climate-resilience-in-action-lessons-from-indigenous-communities-in-brazils-amazon\/","title":{"rendered":"Resili\u00eancia clim\u00e1tica em a\u00e7\u00e3o: li\u00e7\u00f5es das comunidades ind\u00edgenas na Amaz\u00f4nia brasileira"},"content":{"rendered":"\n<ul class=\"wp-block-list styled-info-list\">\n<li>Os povos ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia brasileira est\u00e3o recorrendo a gera\u00e7\u00f5es de conhecimento ecol\u00f3gico para adaptar suas pr\u00e1ticas agr\u00edcolas em resposta \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/li>\n\n\n\n<li>As comunidades est\u00e3o se adaptando repensando os m\u00e9todos agr\u00edcolas, plantando culturas em locais mais estrat\u00e9gicos, preservando sementes nativas e implementando pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis para proteger a vida selvagem e seus ecossistemas.<\/li>\n\n\n\n<li>Os idosos ind\u00edgenas est\u00e3o transmitindo ativamente o conhecimento tradicional, garantindo que os jovens mantenham vivas as pr\u00e1ticas agr\u00edcolas tradicionais e aprofundando a resili\u00eancia clim\u00e1tica.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No cora\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia brasileira, as comunidades ind\u00edgenas est\u00e3o mostrando ao mundo como \u00e9 a verdadeira resili\u00eancia clim\u00e1tica. A floresta amaz\u00f4nica \u00e9 um dos ecossistemas mais vitais da Terra, mas tamb\u00e9m um dos mais afetados pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Vastas extens\u00f5es de florestas outrora saud\u00e1veis \u200b\u200bforam devastadas por <a href=\"https:\/\/rainforestfoundation.org\/wpa-stats\/communities-in-the-amazon-impacted-drought-and-fires\/\">secas recordes<\/a>, inc\u00eandios implac\u00e1veis \u200b\u200be desfloresta\u00e7\u00e3o desenfreada. Para os povos ind\u00edgenas, estas mudan\u00e7as v\u00e3o al\u00e9m do ambiente \u2013 atingem o cerne das suas identidades culturais. Suas florestas s\u00e3o fonte de alimentos, rem\u00e9dios, renda, seguran\u00e7a e espiritualidade. No entanto, face ao desaparecimento de uma floresta, os povos ind\u00edgenas do estado de Roraima, no norte do Brasil, recorrem a gera\u00e7\u00f5es de conhecimento ecol\u00f3gico para navegar nas mudan\u00e7as em curso, garantindo a durabilidade das suas culturas, terras e meios de subsist\u00eancia. Estas comunidades est\u00e3o a adaptar-se de forma extraordin\u00e1ria, mostrando ao mundo como \u00e9 a verdadeira resili\u00eancia no meio de uma crise ambiental em curso.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Rainforest Foundation US (RFUS) fez parceria com o Conselho Ind\u00edgena de Roraima (CIR) h\u00e1 mais de duas d\u00e9cadas para salvaguardar os direitos dos povos ind\u00edgenas no norte de Roraima. O trabalho do CIR abrange 35 territ\u00f3rios ind\u00edgenas, que abrigam 465 comunidades, incluindo Macuxi, Wapichana, Ingarik\u00f3, Patamona, Sapar\u00e1, Taurepang, Wai-Wai, Yanomami, Ye\u2019kwana e Pirititi. Em 2024, com o apoio do Instituto Clima e Sociedade, o CIR publicou um <a href=\"https:\/\/climaesociedade.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/MUDANCAS-CLIMATICAS-IMPRESSAO.pdf\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">relat\u00f3rio<\/a> para documentar os esfor\u00e7os de adapta\u00e7\u00e3o das comunidades em Raposa Serra do Sol \u2013 um dos maiores territ\u00f3rios ind\u00edgenas do Brasil, abrangendo as regi\u00f5es Raposa, Serras, Surumu e Baixo Cotingo. O relat\u00f3rio destaca como estas comunidades est\u00e3o a desenvolver ativamente as suas pr\u00e1ticas agr\u00edcolas tradicionais para enfrentar os desafios de um clima em mudan\u00e7a, oferecendo uma vis\u00e3o vital sobre como o conhecimento ind\u00edgena orienta a resili\u00eancia clim\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Pr\u00e1ticas tradicionais e a mar\u00e9 crescente das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A agricultura \u00e9 h\u00e1 muito tempo uma pedra angular do sustento das comunidades ind\u00edgenas da Raposa Serra do Sol. Os idosos, antes capazes de prever o clima atrav\u00e9s da observa\u00e7\u00e3o da natureza, est\u00e3o a testemunhar mudan\u00e7as alarmantes \u00e0 medida que as perturba\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas minam as pr\u00e1ticas agr\u00edcolas tradicionais. Os ritmos acelerados da natureza est\u00e3o se tornando mais dif\u00edceis de acompanhar, com chuvas fora de \u00e9poca, aumento de inunda\u00e7\u00f5es, tempestades mais fortes em momentos inesperados, aumento de temperaturas, secas e inc\u00eandios florestais.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>\u201cJ\u00e1 perdi muitas sementes durante a colheita por causa das chuvas fora de \u00e9poca\u201d, disse um membro da comunidade das Serras. &#8220;O tempo mudou. Est\u00e1 mais quente em abril; n\u00e3o \u00e9 mais como antes, quando estava mais frio.&#8221;<br><\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"920\" height=\"363\" src=\"https:\/\/rainforestfoundation.org\/wp-content\/uploads\/CIR-ecological-calendars.jpeg\" alt=\"Fish species from the Cotingo region, Roraima, Brazil\" class=\"wp-image-59931\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/rainforestfoundation.org\/wp-content\/uploads\/CIR-ecological-calendars.jpeg 920w, https:\/\/rainforestfoundation.org\/wp-content\/uploads\/CIR-ecological-calendars-300x118.jpeg 300w, https:\/\/rainforestfoundation.org\/wp-content\/uploads\/CIR-ecological-calendars-768x303.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 920px) 100vw, 920px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esp\u00e9cies de peixes da regi\u00e3o de Cotingo, Roraima, Brasil. CR\u00c9DITO DA IMAGEM: CIR<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, o crescimento de monoculturas irrigadas, como o arroz, levou ao desmatamento generalizado, \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o dos cursos de \u00e1gua com pesticidas e ao consumo excessivo de \u00e1gua, agravando os desafios enfrentados pelas comunidades. Durante per\u00edodos de seca extrema, quando os n\u00edveis de \u00e1gua est\u00e3o perigosamente baixos, estas culturas agravam a press\u00e3o sobre os recursos j\u00e1 limitados.<br><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-7387b849 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:50%\">\n<figure class=\"wp-block-pullquote\"><blockquote><p>As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas est\u00e3o ocorrendo principalmente <mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-vivid-green-cyan-color\">devido aos n\u00e3o ind\u00edgenas que trouxeram uma cultura que est\u00e1 destruindo nossos costumes<\/mark>. N\u00e3o temos mais alimentos saud\u00e1veis, a terra est\u00e1 cheia de agrot\u00f3xicos e as \u00e1guas est\u00e3o envenenadas, matando os peixes e prejudicando outros animais.<\/p><cite>&#8211; Manoel da Silva Oliveira, anci\u00e3o Macuxi da Comunidade Maloquinha<\/cite><\/blockquote><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:50%\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"668\" src=\"https:\/\/rainforestfoundation.org\/wp-content\/uploads\/arrow-fishing-from-the-Serras-Region-CIR.jpeg\" alt=\"Illustration of arrow fishing from the Serras Region. IMAGE CREDIT: CIR\" class=\"wp-image-60084\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/rainforestfoundation.org\/wp-content\/uploads\/arrow-fishing-from-the-Serras-Region-CIR.jpeg 800w, https:\/\/rainforestfoundation.org\/wp-content\/uploads\/arrow-fishing-from-the-Serras-Region-CIR-300x251.jpeg 300w, https:\/\/rainforestfoundation.org\/wp-content\/uploads\/arrow-fishing-from-the-Serras-Region-CIR-768x641.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ilustra\u00e7\u00e3o da pesca com flecha na Regi\u00e3o das Serras. CR\u00c9DITO DA IMAGEM: CIR<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 nova realidade clim\u00e1tica<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar dos desafios, as comunidades ind\u00edgenas da Raposa Serra do Sol est\u00e3o demonstrando not\u00e1vel resili\u00eancia. As comunidades est\u00e3o a incorporar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas que observam nos calend\u00e1rios ecol\u00f3gicos para orientar as suas pr\u00e1ticas agr\u00edcolas. Com o apoio dos Agentes Territoriais e Ambientais Ind\u00edgenas do CIR, e por meio de oficinas e discuss\u00f5es com l\u00edderes, idosos, professores, mulheres e outros membros da comunidade, esses calend\u00e1rios ecol\u00f3gicos refletem uma extensa pesquisa e o profundo conhecimento acumulado pelas comunidades ind\u00edgenas que h\u00e1 muito observam as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas que afetam suas terras.<br><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote\"><blockquote><p>O objetivo do calend\u00e1rio ecol\u00f3gico \u00e9 fortalecer o Plano de Adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas \u2013 o Plano de Adapta\u00e7\u00e3o Ind\u00edgena. <mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-vivid-green-cyan-color\">Esses calend\u00e1rios refletem como as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas impactaram a vida social e cultural<\/mark>\u2014desde as pessoas e as culturas at\u00e9 a \u00e1gua e as florestas que sustentam os povos ind\u00edgenas.<\/p><cite>&#8211; Sineia Wapichana, Gerente Ambiental do Conselho Ind\u00edgena de Roraima (CIR) e Copresidente do Caucus dos Povos Ind\u00edgenas das Na\u00e7\u00f5es Unidas<\/cite><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Regi\u00e3o das Serras<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignright size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"830\" height=\"820\" src=\"https:\/\/rainforestfoundation.org\/wp-content\/uploads\/SERRAS-calendar-CIR.jpeg\" alt=\"Ecological calendar created by the Campo Formoso community in the Serras region, Roraima, Brazil. IMAGE CREDIT: CIR\" class=\"wp-image-59909\" style=\"width:500px\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/rainforestfoundation.org\/wp-content\/uploads\/SERRAS-calendar-CIR.jpeg 830w, https:\/\/rainforestfoundation.org\/wp-content\/uploads\/SERRAS-calendar-CIR-300x296.jpeg 300w, https:\/\/rainforestfoundation.org\/wp-content\/uploads\/SERRAS-calendar-CIR-768x759.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 830px) 100vw, 830px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Calend\u00e1rio ecol\u00f3gico criado pela comunidade Campo Formoso na regi\u00e3o das Serras, Roraima, Brasil. CR\u00c9DITO DA IMAGEM: CIR<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Janeiro: <\/strong>Ver\u00e3o intenso com ventos constantes. As comunidades realizam reuni\u00f5es de planeamento antes da primeira quinzena de cada m\u00eas. Este per\u00edodo marca o in\u00edcio do desmatamento e corte da floresta prim\u00e1ria (para agricultura familiar). Riachos e lagos secam e as pessoas aproveitam a oportunidade para pescar com redes de arrasto, redes de cerco e arcos.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Fevereiro:<\/strong> O ver\u00e3o forte continua com condi\u00e7\u00f5es de vento, juntamente com atividades de limpeza nas fazendas. Os frutos amadurecem nessa \u00e9poca e a pesca continua nas lagoas e no rio Quin\u00f4.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Mar\u00e7o: <\/strong>Come\u00e7am as queimadas de fazendas desmatadas, seguidas pelo desmatamento de florestas secund\u00e1rias. As cigarras come\u00e7am a cantar.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Abril:<\/strong> O fruto do jenipapo come\u00e7a a amadurecer, atraindo diversos p\u00e1ssaros, incluindo o arancu\u00e3 e o sanha\u00e7\u00fa, que se alimentam dos frutos. Celebra-se a Semana Santa e as comunidades praticam a pesca coletiva com timb\u00f3, raiz usada para paralisar peixes<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Maio:<\/strong> Come\u00e7a a esta\u00e7\u00e3o das chuvas e as formigas tanajura e manivara levantam voo. Nesse per\u00edodo tamb\u00e9m ocorre o surgimento de lagartas de mutambeira nos troncos das \u00e1rvores ou alimentando-se de folhas, sendo a \u00e9poca de diversos plantios.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Junho:<\/strong> Tempo chuvoso e c\u00e9u nublado. Frutos silvestres como jar\u00edi, bacur\u00ed e cabe\u00e7a de macaco amadurecem, junto com mangas, enquanto os agricultores limpam seus campos.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Julho:<\/strong> Hora de colher burit\u00ed maduro, milho e melancia.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Agosto:<\/strong> Cobras come\u00e7am a aparecer, acompanhadas de tempestades e florescimento de grama. Milho, melancia e outros produtos s\u00e3o colhidos e exibidos.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Setembro: <\/strong>O fim da temporada de inverno. Peixe Mandi sobe a cachoeira do Rio Quin\u00f4. Milho e feij\u00e3o s\u00e3o colhidos.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Outubro:<\/strong> \u00c9 hora de colher mandioca e torrar farinha. Borboletas amarelas come\u00e7am a migrar para o leste.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Novembro:<\/strong> O ver\u00e3o chega, uma \u00e9poca para avalia\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias e reuni\u00f5es centrais.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Dezembro:<\/strong> A temporada de ca\u00e7a no Natal e na v\u00e9spera de Ano Novo. Os cajus amadurecem durante este per\u00edodo.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Regi\u00e3o do Baixo Cotingo<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignright size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"925\" src=\"https:\/\/rainforestfoundation.org\/wp-content\/uploads\/Baixo-Cotingo-Calendar-CIR.jpeg\" alt=\"Ecological calendar from the Baixo Cotingo region, Roraima, Brazil. IMAGE CREDIT: CIR\" class=\"wp-image-59915\" style=\"width:500px\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/rainforestfoundation.org\/wp-content\/uploads\/Baixo-Cotingo-Calendar-CIR.jpeg 1024w, https:\/\/rainforestfoundation.org\/wp-content\/uploads\/Baixo-Cotingo-Calendar-CIR-300x271.jpeg 300w, https:\/\/rainforestfoundation.org\/wp-content\/uploads\/Baixo-Cotingo-Calendar-CIR-768x694.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Calend\u00e1rio ecol\u00f3gico da regi\u00e3o do Baixo Cotingo, Roraima, Brasil. CR\u00c9DITO DA IMAGEM: CIR<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Janeiro: <\/strong>Ver\u00e3o, \u00e9poca de desmatamento de floresta prim\u00e1ria. \u00c9 tamb\u00e9m \u00e9poca do ara\u00e7\u00e1, do mirix\u00ed (fruta local), do mirix\u00ed amarelo, dos pintinhos de pomba, do pada-pada e da galega (um tipo de fruta ou ave).<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Fevereiro:<\/strong> Ver\u00e3o, \u00e9poca de colheita do burit\u00ed. As tartarugas p\u00f5em seus ovos e os queixadas e macacos d\u00e3o \u00e0 luz durante esse per\u00edodo.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Mar\u00e7o:<\/strong> Meio do ver\u00e3o, marcado por limpeza de fazendas e queimadas controladas.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Abril:<\/strong> O inverno chega, trazendo a \u00e9poca do plantio de milho, mandioca, feij\u00e3o, acerola e t\u00e1xi (uma fruta local).<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Maio:<\/strong> O inverno continua com a colheita dos frutos t\u00e1xi, manga e jenipapo. \u00c9 tamb\u00e9m a \u00e9poca de reprodu\u00e7\u00e3o de tartarugas e antas.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Junho:<\/strong> Inverno, \u00e9poca de colheita de jenipapo e marfim (marfim), quando os peixes iniciam sua migra\u00e7\u00e3o (piracema, per\u00edodo de migra\u00e7\u00e3o dos peixes).<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Julho:<\/strong> Inverno, \u00e9poca de plantar milho, ca\u00e7ar p\u00e1ssaros juriti e semear arroz.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Agosto:<\/strong> O inverno continua com o amadurecimento da goiaba silvestre e do burit\u00ed.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Setembro:<\/strong> Meio do ver\u00e3o, \u00e9poca da colheita da cana-de-a\u00e7\u00facar, dos formigueiros e da ca\u00e7a ao tamandu\u00e1-bandeira.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Outubro:<\/strong> Meio do ver\u00e3o, \u00e9poca da colheita da manga.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Novembro:<\/strong> Ver\u00e3o, marcado pelo amadurecimento dos frutos do mirix\u00ed e da galega.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Dezembro: <\/strong>Ver\u00e3o, \u00e9poca de colheita do caju.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As comunidades baseiam-se no seu conhecimento ecol\u00f3gico ancestral e nestes calend\u00e1rios para orientar os seus esfor\u00e7os de adapta\u00e7\u00e3o. Na regi\u00e3o da Raposa, por exemplo, a mandioca \u2013 uma cultura b\u00e1sica \u2013 tornou-se cada vez mais dif\u00edcil de cultivar devido ao calor extremo do ver\u00e3o. A irriga\u00e7\u00e3o muitas vezes \u00e9 imposs\u00edvel, fazendo com que as ra\u00edzes sequem e apodre\u00e7am. No entanto, o conhecimento profundo das comunidades sobre as culturas permite-lhes seleccionar as variedades de mandioca mais resistentes, como a variedade S\u00e3o Gabriel, que pode suportar melhor o calor extremo. As comunidades criaram sistemas de troca e doa\u00e7\u00e3o de ra\u00edzes de mandioca, garantindo que todas as comunidades tenham acesso \u00e0s variedades mais resistentes.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Adapta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m significa repensar as pr\u00e1ticas agr\u00edcolas. \u00c0 medida que o clima se torna mais imprevis\u00edvel, as comunidades est\u00e3o a plantar culturas em locais mais estrat\u00e9gicos, evitando \u00e1reas propensas a secas. Por exemplo, o feij\u00e3o, que \u00e9 tradicionalmente plantado no ver\u00e3o, tornou-se quase imposs\u00edvel de cultivar devido \u00e0s temperaturas cada vez mais altas. As plantas secam e morrem antes de frutificarem, levando \u00e0 perda de sementes importantes para o pr\u00f3ximo plantio. Para combater isso, o feij\u00e3o agora \u00e9 plantado no inverno para garantir uma melhor produ\u00e7\u00e3o.<br><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote\"><blockquote><p>Uma solu\u00e7\u00e3o que implementamos, especialmente para apoiar a agricultura, \u00e9 usar sistemas de irriga\u00e7\u00e3o movidos a energia solar para extrair \u00e1gua de fontes subterr\u00e2neas. Isso permite que as colheitas cres\u00e7am mesmo durante a seca. <mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-vivid-green-cyan-color\">Estamos trabalhando ativamente para encontrar solu\u00e7\u00f5es para a crise clim\u00e1tica.<\/mark><\/p><cite>&#8211; Sineia Wapichana<\/cite><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As mudan\u00e7as nos padr\u00f5es clim\u00e1ticos \u2013 muitas vezes levando a esta\u00e7\u00f5es chuvosas mais fracas e ver\u00f5es mais rigorosos \u2013 tornam dif\u00edcil prever as \u00e9pocas de plantio e colheita, resultando na perda de sementes valiosas. Para preservar as sementes para plantio futuro, as comunidades empregam t\u00e9cnicas tradicionais \u2013 colher frutos, extrair as sementes, expondo-as ao sol para secar e armazenando-as com cinzas em locais adequados para evitar infesta\u00e7\u00f5es por gorgulhos.<br><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignright size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"720\" height=\"960\" src=\"https:\/\/rainforestfoundation.org\/wp-content\/uploads\/IMG-20240214-WA00141-edited.jpg\" alt=\"CIR&#039;s Indigenous fire brigade fights the forest fires that ravaged Roraima in 2024\" class=\"wp-image-60081\" style=\"width:500px\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/rainforestfoundation.org\/wp-content\/uploads\/IMG-20240214-WA00141-edited.jpg 720w, https:\/\/rainforestfoundation.org\/wp-content\/uploads\/IMG-20240214-WA00141-edited-225x300.jpg 225w\" sizes=\"(max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O Corpo de Bombeiros Ind\u00edgenas do CIR combate os inc\u00eandios florestais que assolaram Roraima em 2024. CR\u00c9DITO DA IMAGEM: CIR<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As mudan\u00e7as no clima tamb\u00e9m est\u00e3o afetando a vida selvagem local. Na Raposa, esp\u00e9cies que antes eram comuns nas montanhas e nas margens dos rios, como o ara\u00e7\u00e1, esp\u00e9cie de macaco nativo do noroeste do Brasil, est\u00e3o desaparecendo. Aves como o periquito Jandaia e o tucano, antes abundantes, migraram ou desapareceram devido \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o de seus habitats pelos inc\u00eandios florestais. A pesca, uma parte essencial da vida comunit\u00e1ria, tamb\u00e9m se tornou mais dif\u00edcil \u00e0 medida que as popula\u00e7\u00f5es de peixes diminu\u00edram.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na regi\u00e3o de Baixo Cotingo, os peixes s\u00e3o retirados dos rios por pescadores comerciais que utilizam redes, principalmente durante o per\u00edodo de migra\u00e7\u00e3o dos peixes, interrompendo seu ciclo reprodutivo. Em contraste, as comunidades utilizam pr\u00e1ticas de pesca sustent\u00e1veis, utilizando anz\u00f3is e limitando a sua captura para garantir a sobreviv\u00eancia das esp\u00e9cies locais. E a perda de animais de ca\u00e7a, impulsionada pela ca\u00e7a furtiva e pela invas\u00e3o das ind\u00fastrias vizinhas, levou as comunidades ind\u00edgenas a cessar a ca\u00e7a tradicional de esp\u00e9cies vulner\u00e1veis, como os tatus tatu-bola e tatu-peba, para proteger seus ciclos reprodutivos e preservar essas esp\u00e9cies importantes.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As comunidades ind\u00edgenas tamb\u00e9m criaram brigadas de inc\u00eandio para controlar inc\u00eandios florestais e combater o desmatamento, reconhecendo esses esfor\u00e7os como vitais para a preserva\u00e7\u00e3o dos habitats dos animais. Esses habitats fornecem abrigo, comida, \u00e1gua e ar puro \u2013 essenciais para o desenvolvimento da vida selvagem. \u00c0 medida que as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas aceleram, estas medidas de prote\u00e7\u00e3o tornam-se parte integrante da vida quotidiana, garantindo a sobreviv\u00eancia destes ecossistemas.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em resposta \u00e0s mudan\u00e7as culturais, h\u00e1 um esfor\u00e7o crescente para garantir que o conhecimento tradicional seja transmitido \u00e0s gera\u00e7\u00f5es mais jovens. Na Regi\u00e3o das Serras, as Feiras de Sementes destacam as pr\u00e1ticas da agricultura familiar e facilitam a troca de conhecimentos sobre m\u00e9todos agr\u00edcolas tradicionais. As sementes nativas, conhecidas pela sua resili\u00eancia e durabilidade, s\u00e3o enfatizadas, refor\u00e7ando a import\u00e2ncia de proteg\u00ea-las para o futuro. Os jovens destas comunidades est\u00e3o a ser ativamente ensinados sobre a import\u00e2ncia de preservar as sementes, respeitar a terra e garantir que o conhecimento tradicional perdura.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>&#8220;O conhecimento dos mais velhos \u00e9 muito importante para a manuten\u00e7\u00e3o das tradi\u00e7\u00f5es e o respeito \u00e0 natureza. Entendemos que o conhecimento da cultura ind\u00edgena \u00e9 a melhor forma de preservar o meio ambiente&#8221;, disse um membro da comunidade da regi\u00e3o de Surumu.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Honrando a resili\u00eancia ind\u00edgena no Dia da Biodiversidade<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote\"><blockquote><p>Os calend\u00e1rios ecol\u00f3gicos cont\u00eam uma riqueza de conhecimentos tradicionais, apoiando a gest\u00e3o coletiva da agricultura comunit\u00e1ria, da biodiversidade, das florestas e da \u00e1gua. No entanto, o desequil\u00edbrio clim\u00e1tico est\u00e1 a criar impactos que s\u00e3o muitas vezes irrevers\u00edveis. Precisamos de apoio urgente para fortalecer o conhecimento tradicional ind\u00edgena. Estas s\u00e3o as estrat\u00e9gias que devemos seguir para preservar tanto este conhecimento como a nossa resili\u00eancia, porque<mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-vivid-green-cyan-color\"> Os povos ind\u00edgenas s\u00e3o incrivelmente resilientes.<\/mark><\/p><cite> &#8211; Sineia Wapichana<\/cite><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste Dia da Biodiversidade, homenageamos as comunidades ind\u00edgenas como as da Raposa Serra do Sol, cuja sabedoria \u00e9 crucial para a adapta\u00e7\u00e3o aos impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Atrav\u00e9s das suas pr\u00e1ticas agr\u00edcolas ancestrais, eles cuidam da terra e ao mesmo tempo protegem o lugar com maior biodiversidade do planeta: a Amaz\u00f3nia. Os povos ind\u00edgenas n\u00e3o s\u00e3o apenas os administradores mais impactantes da floresta, mas tamb\u00e9m os seus mais fortes defensores, e a sua resili\u00eancia clim\u00e1tica \u00e9 a chave para proteger a Amaz\u00f3nia para as gera\u00e7\u00f5es vindouras. \u00c0 medida que a crise clim\u00e1tica continua a aumentar, a sua resili\u00eancia \u00e9 um poderoso lembrete de que \u00e9 poss\u00edvel adaptar-se mesmo nas circunst\u00e2ncias mais desafiadoras.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Saiba mais sobre a prote\u00e7\u00e3o da floresta tropical liderada pelos ind\u00edgenas e fique por dentro dos \u00faltimos desenvolvimentos em nosso trabalho <a href=\"https:\/\/rainforestfoundation.org\/pt\/engage\/subscribe\/\">inscreva-se hoje mesmo em nossa lista de e-mail<\/a>.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No cora\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia brasileira, as comunidades ind\u00edgenas est\u00e3o mostrando ao mundo como \u00e9 a verdadeira resili\u00eancia clim\u00e1tica. A floresta amaz\u00f4nica \u00e9 um dos ecossistemas mais vitais da Terra, mas tamb\u00e9m um dos mais afetados pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Vastas extens\u00f5es de florestas outrora saud\u00e1veis \u200b\u200bforam devastadas por secas recordes, inc\u00eandios implac\u00e1veis \u200b\u200be desfloresta\u00e7\u00e3o desenfreada. 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